quinta-feira, 29 de junho de 2017

Fascinação Religiosa




Fascinação, fanatismo, deslumbramento, encantamento, sedução, admiração e atração são algumas das palavras que estão sempre atreladas seja por elos de aplicação ou significação. Pertencem, também, ao universo daqueles que provocam e incitam o imaginário popular nos diversos meios, inclusive o religioso. 
Tratar a temática do fanatismo dentro das religiões não é tão difícil, porém, uma análise macro-globalizada com referências sócio-históricas sobre seus efeitos, demandam responsabilidade, embasamento teórico e técnico. Ainda sim, jornais e sites quase que diariamente noticiam conflitos, guerras, diásporas e enfrentamentos geopolíticos provocados pela fascinação das posições contrárias, a medida que cada grupo aponta um distinto interesse, calcados em definições econômicas e culturais que direcionam seus objetivos centrais: A dominação e a proposta de salvação.

Apesar de estarmos em um canal exclusivamente umbandista, não pretendemos realizar uma análise sobre o olhar que as demais religiões têm sobre a Umbanda. Também não devemos sempre que pudermos, assumir o papel de vítimas oprimidas, apesar de pertencermos à uma religião eminentemente de minorias. 
A reflexão que propomos, parte da leitura da obra de P.J Pereira, A Mãe a Filha e o Espírito da Santa, um ambiente ficcional que retrata a biografia da personagem "Pilar", intrigante membro da história desenvolvida na trilogia "Deuses de dois Mundos". Com uma trama envolvente, que recomendamos a leitura, o autor caminha no universo das tradições religiosas e populares nordestinas, acrescentada de modelos pentecostais, filosofias orientais e empreendedorismo comercial. Sua personagem, atravessa um mar de dificuldades desde a infância, pois, já nasceu em meio à um mito. Seria ela uma menina anunciada, um espírito santo reencarnando na terra. Prato cheio para virar profeta!


Entre os diversos aspectos que o livro aborda, refletimos, sobretudo, acerca de falsos profetas arrebatadores de multidões cegas ao óbvio e entregues por um ato de fé nada normal. 
Nos questionamos como esses "artistas" da fé conseguem persuadir pessoas não somente à segui-las, tampouco ofertando-lhes alguma quantia substanciosa retirada muitas vezes de seus próprios sustentos, mas, sim, como essas marionetes dedicam a vida por outras pessoas, supostamente dotadas de poderes e virtudes "divinas"? Aí o leitor responde: Coisa de livro, filme ou novela. Isso não existe. Para nosso espanto existe sim, é tão grave que está entranhado em nossa sociedade e para piorar está quase sendo banalizado. A exploração da fé, não se limita a persuadir apenas os entendimentos sobre o que é "Sagrado", vai muito mais além, roubam-lhe a vida, os pensamentos, a capacidade crítica de interpretar fatos. Roubam-lhes as almas.

Para que tudo isso ocorra, o profeta necessita de experimentação, treino, formação, talento e muita dedicação. Deve produzir feitos inéditos ou reeditar os grandes da história humana. Garantir a felicidade plena "tanto na terra como no céu". E quando seu discípulo desgarrar-se, deve produzir profecias maléficas a fim de amedrontar outros motivados ao desmonte. Quando o profeta cresce, ou ganha a projeção para fama, a partir de seu empreendedorismo, produz ramificações ou filiações, onde, ele acaba tornando-se CEO da fé. E isso amigos leitores, não é uma característica deste ou daquele setor. Infelizmente não. As promessas por obras divinas, verdades concretas e imutáveis estão em todos os meios, visto que, é eminentemente humana. Pessoas com aptidões, habilidades e talentos para extravasar procuram a industria da fé, ligada ao referencial do senso comum, meios para deixarem o anonimato e a pobreza.

E como combatemos isso? Deixamos a fé? Deixamos de frequentar os círculos religiosos? Deixamos a Umbanda? Entendemos que não! Definitivamente. Temos sim por bom senso e obrigação que nos atentarmos, estudarmos, cultivarmos os espaços e meios que o bom debate (jamais confronto) exista. Pois, somente através do desenvolvimento de características que preservem a análise e a avaliação sobre nossa própria caminhada, podemos entender o entorno. É urgente a reflexão dos abusos cometidos em todos os níveis, sobretudo na religião, a medida que ela ocupa significativa importância nas relações sociais, econômicas, políticas e educacionais. 
Cultivarmos nossa fé não necessariamente é sinônimo de incompatibilidade social, tampouco deve ser o da dominação e salvação. 
Pensemos nisso, é urgente!               

Oxalá nos acompanhe ! Bom fim de semana !
                    
              

3 comentários:

  1. Sabe, tenho pra mim que o bom senso é algo escaço entre a nossa espécie. Somos biologicamente desenvolvidos por atributos contrários ao que consideramos virtuoso no cenário moral. Covardia, medo, autopreservação, essas características nos tornaram aptos nos caminhos da evolução. Agíamos em bando para caçar, e não nos preocupávamos em perder um membro do grupo morto desde que a comida tivesse disponível ao final do dia (antes ele do que eu). A virtude, a humildade, a coragem, são características sempre executas no silêncio. Sempre que atitudes virtuosas estão em evidência temos de nos preocupar sobre não estarem se tratando de algo verdadeiramente realizado, pois a raça humana é integrada primordialmente na hipocrisia como característica mantenedora da ordem social.
    Os falsos profetas encontram um caminho em meio a essa ranhura da nossa espécie, no fundo, nem eles são os culpados, nem os que os seguem. Talvez o que caracterize uma situação de falência é que a virtude nunca é encontrada em lugares habitados por mais de duas pessoas. A virtude é tímida, resvala no anonimato, no underground da existência das pessoas. Alguns pensadores evolucionistas costumam dizer que a "consciência" foi um acidente da matéria, acordamos de um sonho animal e projetamos ideais de ser mesmo sendo cheios de imperfeições fisiológicas.. E esse processo realmente causa espanto; entendo perfeitamente o ponto do seu texto. Por entender as presunções de profetas e ranhuras de ovelhas de rebanho, não precisamos negligenciar nossa espiritualidade, a fé está alem do bem e do mal...
    Gratidão e axé! Se site é otimo!!

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    1. Olá UTHiS!
      Agradecemos imensamente a participação em nosso espaço.
      Suas considerações, complementam nossos escritos. Parabéns!
      Nós também conhecemos seu espaço, ótimo por sinal.
      Me envie seu email. Gostaria de trocar mensagens. Se preferir, escreva para nomundodasumbandas@gmail.com

      Oxalá conosco!

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