domingo, 2 de outubro de 2016

COLUNA DO EDITOR - 04: Umbanda e Política


Amigos leitores,

A proposta de desenvolver este assunto estava definida, porém, engavetada e por razões primárias justificáveis. A primeira, diz respeito à agenda do blog neste 2016 ter sido afetada por inúmeras complicações, entre elas, as de ordem profissional deste Editor, e desde já, aos que nos acompanham, reafirmo nosso compromisso com este canal e aos propósitos que nos movem por aqui, manteremos nossas pesquisas e discussões sempre tentando elevar o nível dos temas que envolvam a Umbanda. A segunda, no entanto, busca objetivar neste texto o levantamento de proposições que suscitem a discussão conscientizadora e não a confrontadora, que talvez pudesse ter ocorrido se a publicação deste, houvesse ocorrido alguns dias antes, tendo em vista o período eleitoral dos municípios por todo o Brasil.

Em publicação aqui pelo blog com o título de Intolerância Religiosa X Estado Laico, realizamos a tentativa de discutir as polarizações por agrupamentos ou corporações políticos-partidárias-religiosas, que dividem as esferas dos poderes públicos em bancadas na tentativa de representarem os interesses de determinados grupos e na sanha da busca para legitimarem e assegurarem tais propósitos, acabam na verdade, tornando o espaço político em disputa por espaço e aplicação de suas próprias verdades em detrimento das alheias. Assim a discussão, a propagação e a aplicação de propostas e projetos de interesses públicos, que serviriam a todos independentemente da religião ou de qualquer outro quesito de "classificação social", torna-se completamente inviabilizada pela visão da "coisa pública" estar permeada pelas dissonantes interpretações sobre o sagrado. Lembro ao leitor que para garantir seus direitos, entre eles os de liberdade de expressão religiosa, não dependemos de bancada alguma, mais sim de políticas públicas defensoras da nossa Constituição que já prevê tais garantias. Para o combate a intolerância e ao preconceito, também não precisamos de tais bancadas políticas, NECESSITAMOS de políticas públicas voltadas à educação, pois ao meu entendimento, somente ela, pode combater o ambiente de barbárie e distorções causados por políticos religiosos que usam os meios públicos para disseminarem os discursos partidários-ideológicos.

Este entendimento também compreende o âmbito umbandista. Qual a diferença do Pastor que usa de seus cultos e púlpitos, ou dos Padres que usam as missas e outros meios, para os Dirigentes e lideranças da Umbanda que utilizam suas Tendas para promoverem os "irmãos" de causa na vida política? Não vejo diferença alguma, ao contrário, compactuar com a prática das maiorias jamais permitirá qualquer mudança socialmente perceptível, ou seja, desenvolver as mesmas maneiras de luta política não permitirá as mudanças tão esperadas à todos. Por que se utilizam da nomenclatura de sua "classificação religiosa"  como slogan de campanha? Como os Pastores fulanos de tal ou Pai sicrano de Oxalá, etc? Isso realmente é necessário? Pode causar generalizações incompreensíveis caso o os fulanos e sicranos se envolvam em atos ilegais?
Essas e outras perguntas rondam meus penamentos e não é minha intenção discutir sobre a legitimidade dessas questões, que estão totalmente asseguradas pela liberdade de expressão prevista em nossa "carta maior", apenas refletir sobre a sanidade de idéias que povoam o imaginário popular quando se misturam as aspirações políticas com as religiosas...

Vejo infelizmente a Umbanda, pelo menos em parte, pois as generalizações são ininteligíveis, como uma representante da espetacularização das mídias, sobretudo as tecnológicas, que desinformam, alienam e incitam o consumo e o separatismo ideológico.
A liberdade que defendemos, deve ser uma prática global, não apenas uma questão interpretativa da ritualística adotada por cada tenda ou terreiro. Assim, desassociar as escolhas e práticas religiosas, das aspirações políticas, pode organizar e clarear nossas próprias ações em sociedade, e tornar cada vez mais dinâmica nossas participações, tão essenciais para o exercício pleno de nossas existências.

Que Oxalá nos proteja! Boa semana !

O Editor.                    
      

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