sábado, 12 de dezembro de 2015

EXÚ MITOLÓGICO #1

Olá amigos leitores !

Ainda contagiados pelos escritos da  Coluna de nosso Editor , "O perigo mora em casa", onde interessante abordagem foi realizada com o levantamento de questões cotidianas sobre o uso das mídias tecnológicas, sobretudo, pelo malefício causado na veiculação de informações e imagens de páginas ligadas ao movimento de Umbanda onde, contribuem inadequadamente ao imaginário popular sobre os significados, formas e aspectos da religião.

Neste sentido, nos dedicaremos abordar a partir desta publicação conteúdos que esclareçam atributos ligados à Exú e para isso, optamos dividir os temas para melhor adequar ao espaço do blog e para facilitar o entendimento. Elencamos os seguintes eixos para abordar o tema:

- EXÚ MITOLÓGICO
- A DEMONIZAÇÃO DE EXÚ AO LONGO DOS SÉCULOS
- EXÚ NA UMBANDA: NOVAS PERSPECTIVAS

Lembramos sempre, que além de nossas próprias impressões as edições também estão ligadas à pesquisas, então leitores, caso queiram ao longo das publicações contribuir com críticas construtivas, comentários ou observações lembrem que o espaço também é de vocês !

EXÚ E MITOLOGIA

            
Para iniciarmos este diálogo, entendemos que se faz necessário passarmos por questões básicas ligadas ao termo Mitologia. Afinal o que é? Qual sua aplicação? Para que nos serve?
O termo Mitologia é oriundo de expressões gregas da antiguidade que em geral significa, estudo de narrativas, lendas e tradições de um determinado povo para com elas identificarmos características, predominâncias culturais e tendências comportamentais. 
Os "mitos" ou "lendas" são narrativas que expressam e representam a visão de determinado povo sobre questões existenciais, fenômenos naturais, tradições e rituais geralmente ligados ao desenvolvimento de uma estrutura religiosa. Onde a partir deles conseguimos vislumbrar suas tendências comportamentais, estruturas sociais, atividades econômicas e de subsistência, além de conflitos, guerras e disputas.
Entre as mais conhecidas podemos citar as mitologias: Egípcia, Grega, Nórdica e Romana. 

A Mitologia Africana que não é tão midiática está inserida neste contexto e contribuiu muito para a formação de nossa cultura (brasileira), pois, principalmente através dos escravos africanos de procedência Nagô-Iorubá (Nigerianos) que aportaram no Brasil na época que éramos colonia de Portugal, conhecemos os ensinamentos e tradições ligadas à mitologia dos Orixás.
E neste conjunto de lendas e histórias que se perpetuam até os dias atuais, sobretudo, nas religiões afro-brasileiras e na Umbanda encontramos os "seres divinos", responsáveis pelo controle do mundo e dos indivíduos. 
No livro "Mitologia dos Orixás" de Reginaldo Prandi, esses aspectos também são ressaltados... Os Orixás são deuses que receberam de Olodumare ou Olorum, também chamado de Olofim em Cuba, o Ser Supremo, a incumbência de criar e governar o mundo, ficando cada um deles responsável por aspectos da natureza e certas dimensões da vida em sociedade e da condição humana...

Exú compõe com relativa importância o panteão de "Deuses" que formam a estrutura mitológica dos iorubanos, sua relevância é tamanha que as lendas com Exú estão entre as que apresentam características cosmogônicas, e foi neste contexto que recebeu uma das mais importantes responsabilidades... Exú tornou-se o mensageiro único e primordial entre o Céu (Orun) e a Terra (Aiyê), responsável pela comunicação entre homens e Deuses, pelo encaminhamento das oferendas aos orixás que geralmente são indicadas para solucionar problemas humanos aconselhados pelos Babalaôs nos "jogos" adivinhatórios" com búzios. É desta pratica que surge a tão conhecida frase... Sem Exú não se faz nada !  

Outros traços conferidos à Exú completam o perfil do Orixá mais "humano" de todos, assim definido por Pierre Verger. Como atuação cósmica podemos destacar também a ordem e a disciplina pela atuação como "Guardião" dos homens, rituais, mercados e aldeias. Orixá da fertilidade e fartura tem na sua representação tribal um "falo" que representa simbolicamente esse aspecto. Como atuação psicológica, seu personagem histórico apresenta características irreverentes e contraditórias, é corajoso, comilão e está sempre envolvido em conflitos de ordem comportamental e de relações sociais e políticas, enfim, Exú é figura importante para entendermos as relações das sociedades iorubanas antigas com o sagrado, sendo uma interessante exceção, pois é o único Orixá consagrado e reverenciado por todos os povos que possuíam na descentralização do culto dos demais Orixás uma forma de culto as divindades.
E como estamos tratando de Mitos, selecionamos uma narrativa que representa Exú como o agente lendário e histórico pelo qual merece ser reconhecido...
Exu ganha o poder sobre as encruzilhadas

Exu não tinha Riqueza, não tinha fazenda, não tinha Rio, não tinha profissão, nem artes, nem missão.
Exu vagabundeava pelo mundo sem paradeiro. Então um dia, Exu passou a ir à casa de Oxalá.
Ia a Casa de Oxalá todos os dias. Na casa de Oxalá, Exu se distraía, vendo o velho fabricando seres humanos. Muitos e muitos também vinham visitar Oxalá, mas ali ficavam pouco, quatro dias, oito dias, e nada aprendiam.
Traziam oferendas, viam o velho orixá, apreciavam sua obra e partiam.
Exu ficou na casa de Oxalá dezesseis anos.
Exu prestava muita atenção na modelagem e aprendeu como Oxalá fabricava as mãos, os pés, a boca, os olhos, o pênis dos homens, as mãos, os pés, a boca, os olhos, a vagina das mulheres.
Durante dezesseis anos ali ficou ajudando o velho orixá.
Exu não perguntava.
Exu observava.
Exu prestava atenção.
Exu aprendeu tudo.
Um dia Oxalá disse a Exu para ir postar-se na encruzilhada por onde passavam os que vinham à sua casa.
Para ficar ali e não deixar passar quem não trouxesse uma oferenda a Oxalá.
Cada vez mais havia humanos para Oxalá fazer.
Oxalá não queria perder tempo recolhendo os presentes que todos lhe ofereciam.
Oxalá nem tinha tempo para as visitas.
Exu tinha aprendido tudo e agora podia ajudar Oxalá
Exu coletava os ebós para Oxalá. Exu recebia as oferendas e as entregas a Oxalá. Exu fazia bem o seu trabalho e Oxalá decidiu recompensa-lo. Assim, quem viesse à casa de Oxalá teria que pagar também alguma coisa a Exu.
Quem estivesse voltando da casa de Oxalá também pagaria alguma coisa a Exu.
Exu mantinha-se sempre a postos guardando a casa de Oxalá.
Armado de um Ogó, poderoso porrete, afastava os indesejáveis e punia quem tentasse burlar sua vigilância. Exu trabalhava demais e fez ali a sua casa, ali na encruzilhada.
Ganhou uma rendosa profissão, ganhou seu lugar, sua casa.
Exu ficou rico e poderoso.
Ninguém pode mais passar pela encruzilhada sem pagar alguma coisa a Exu.                           
                   
Assim encerramos este primeiro texto, desejando aos que buscam por informações, que as procurem nos veículos comprometidos em esclarecer e desmitificar nossas relações com os chamados Orixás e principalmente não confundam conhecimento literário ou científico com prática religiosa, pois, ao nosso entendimento, a "prática", deve ser preservada aos limites de cada casa perpetuando as tradições.
Aguardem nossas próximas postagens para falarmos mais de Exú ! 

Tenham todos uma ótima semana !
èṣù mo júbà [èxù mô djúbà]
Laroiê Exú !
Exú é Mojubá !

              

3 comentários:

  1. Muito interessante, vcs farão semanalmente? Pretendemos compartilhar o estudo todo, tudo bem? Abç

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  2. Olá amigos, Rua Megê !

    Se tudo sair conforme nosso planejamento, nos próximos 20 dias os textos estarão postados ! Fiquem a vontade para compartilhar...

    Ainda teremos um texto "surpresa" que fechará esta série, ou seja, um quarto texto...

    Agradecemos a participação !!! Axé !

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